A educação nas canaletas, ruas e nas calçadas

Doralice Araújo

Gazeta do Povo – Na Mira do leitor, agosto/2008

Será que o prezado leitor está acompanhando as notícias ligadas à educação, por exemplo, no trânsito? O endurecimento quanto às infrações dos condutores alcoolizados e os 64,5% de reajuste no valor das multas pelas diversas infrações parecem, num primeiro olhar, mostrar maior rigidez quanto aos atos irresponsáveis no volante. Eu já tive um familiar vitimado mortalmente na rua, aplaudo as últimas medidadas – e você?

É oportuno lembrar, entretanto, que o dinheiro arrecadado com o seguro obrigatório pago por donos de veículos e o que é captado pelas multas é atraído pelo Denatran( Departamento Nacional de Trânsito) e pelo Funset( Fundo Nacional das multas), mas no primeiro semestre, apenas 13,8% foi utilizado em ações educativas no trânsito. Na ponta do lápis o governo deixou de destinar, como manda a lei, R$217,4 milhões em ações voltadas à educação e segurança no trânsito. Você sabe por quê?
Eu não sabia e fui pesquisar a resposta. Segundo os especialistas, ela está ligada às metas de superávit fiscal do governo federal. Toda essa dinheirada arrecadada pelo governo vai engordar os cofres públicos, mas infelizmente nos últimos dez anos, R$ 1,46 bilhão que entrou no caixa da União com essa finalidade deixou de ser investido em educação no trânsito.

Apesar da incoerência na aplicação do dinheiro arrecadado , mesmo assim o aperto aos motoristas embriagados já surtiu efeito: há uma queda de acidentes e de vítimas no trânsito. Palmas e palmas para a fiscalização, a grande desencadeadora desse mérito incontestável, mas falta educar mais os que pegam o volante , os pedestres e o pessoal que trabalha para colocar ordem no trânsito. Há um dinheiro destinado para essa finalidade e todos nós precisamos cobrar das autoridades essa aplicação, sob a contingência legal de cidadania responsável.
Muito embora saibamos que as multas no trânsito proporcionem divisas bem gordas à União – e que a impunidade ainda nos atordoe ! – os pedestres, os ciclistas, os motoqueiros e demais condutores de veículos automotores diversos precisamos mirar a diminuição da violência no trânsito e esta só acontecerá se constantes ações educativas marcarem ponto ininterrupto no nosso cotidiano. Um povo educado em todos os sentidos parece nesta pátria querida uma utopia, mas não custa tentar viabilizar maior qualidade para a vida de todos, concorda meu prezado leitor?

Sugestões de escrita

1-Descreva uma cena que retrate exatamente o contrário do que se espera na direção de um veículo em áreas urbanas.Os registros feitos pela imprensa e os depoimentos verossímeis poderão ilustrar a sua descrição. Limite-se a 10 linhas e dê um título ao seu texto.

2-Elabore um texto de opinião apontando as razões para as constantes desobediências, tanto do pedestre quanto do condutor de veículos, quanto às normas de segurança nas ruas das cidades brasileiras. Não ultrapasse as 8 linhas e mantenha articulação entre os recursos textuais para garantir a excelência do seu texto.

3- Examine os cartazes de incentivo à direção responsável e elabore frases de efeito semelhante. Capriche na escolha das palavras. Lembre-se: na redação dos textos apelativos, especialmente das campanhas educativas, as palavras têm muita influência junto aos interlocutores

Publicado originalmente em: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/namira/?id=793766

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