Bicicleta no ônibus

Relato enviado por Denir Mendes Miranda de Brasília no dia 17 de novembro de 2008 sobre o transporte de bicicletas em viagens de ônibus


Hoje pela manhã fui à audiência na ANTT. Fui muito bem recebido pela Sra. Beatriz, assessora direta da Sonia Haddad (Superintendente de Transporte de Passageiros) e pela Sra. Ana Patrizia, Gerente de Transporte Autorizado (=empresas de onibus).

A conversa foi longa, vou tentar resumir os pontos importantes:

1) De início, quiseram saber se era uso da bicicleta em movimentos pendulares, complementar ao transporte urbano. A mesma questão já discutida aqui, do trabalhador que poderia usar a bicicleta pra ir ao trabalho diariamente em cidades próximas, principalmente em megalópoles. Isto não é competência da ANTT. Expliquei que não era este o ponto inicial, mas sim o transporte não-pendular.
1) outra preocupação da ANTT é não permitir o transporte de bicicletas como cargas. Ou seja, as duas Sras. manifestaram receio de que qualquer modificação faça com que os onibus passem a ser usados como substitutos de transportadoras. Por exemplo: um lojista vai até o Rio de Janeiro, compra 15 bicicletas dobraveis Dahon e leva, no onibus, a carga para sua cidade lá no interior de Minas. Como impedir isto?
2) a ANTT teria que criar alguma coisa para coibir esta prática. A Ana Patrizia sugeriu uma “declaração” feita pelo próprio ciclista, por escrito, de que a bicicleta é dele, de uso pessoal, etc etc. Tal declaração poderia ser feita em formulário disponível nas rodoviárias.
3) elas ficaram muito preocupadas com a questão do seguro. Perguntaram-me várias vezes se a gente pagava seguro pra viajar. De danificar a bicicleta ou a bicicleta estragar alguma outra bagagem. Sugeriram que naquela declaração o ciclista também assumisse que está ciente dos risco de que sua bicicleta possa ser danificada etc e tal. Outra solução seria OBRIGAR que a bicicleta estivesse em mala-bike ou coisa parecida. Respondi que náo pode OBRIGAR, porque mala-bike é um produto que não está acessível a todos, não só pelo preço, mas pela DIFICULDADE de encontrar (mesmo que eu queira, não encontro uma mala-bike nas lojas aqui em Brasília). Não podemos deduzir que 100% dos cicloturistas usam internet e façam compra pela internet.
4) ficou no ar a proposta de obrigar que a bicicleta esteja “devidamente acondicionada”, seja mala-bike ou enrolada em papelão, plástico-bolha etc. Sabendo dos relatos aqui desta lista do Clube, falei que hoje em dia algumas empresas de onibus colocam a bicicleta inteira dentro do bagageira, sem desmontar nem exigir que esteja “devidamente acondicionada”.
5) elas me perguntaram como é o transporte de bicicletas em avião. Afirmaram que não seria lógico haver diferença entre o transporte em onibus e em avião. Infelizmente eu não sabia dizer muita coisa. Sei que a Gol cobra R$100,00 por bicicleta, mas outras empresas não cobram nada. E até levam a bicicleta INTEIRA, sem maiores exigências.

Então, preciso da opinião de todo mundo sobre tudo isto.  Como lidar com a questão do transporte urbano nos grandes aglomerados urbanos? Fazer uma declaração,  preencher formulário, todo mundo aceita?? e a questão do seguro? mala-bike? “devidamente acondicionda”? alguém tem alguma sugestão??
Precisamos de tudo sobre transporte de bicicletas em avião.

O canal de discussão ficou aberto. O ofício foi protocolado formalmente (veja cópia anexa) e ficou claro que as Sras Beatriz e a Ana Patrizia entenderam o problema e até senti uma vontade de solucionar. Claro que o jogo não está ganho, pois depende de discussão interna na ANTT, de vontade política e de – conforme lembrado aqui – lidar com os interesses das empresas de onibus. A partida está apenas começando!!! Mas nós temos a força nas pernas!!! o abaixo-assinado, calhamaço com mais de 80 folhas cheias de assinaturas, causou impressão!!! :-))

Um ponto grande a nosso favor: a Beatriz tem filhos ciclistas, que vivem viajando de bicicleta :-)))) Ela até me falou que o filho dela tem o mesmo problema com prancha de surfe. E a filha participava de competição de ciclismo (agora está cuidando do filho recém-nascido). O ponto a nosso favor é que elas receberam a questão com bons olhos. Foram extremamente receptivas. Ficaram surpresas por algumas coisas que narrei, e o conteúdo da carta. A Ana Patrizia, por exemplo, disse que não sabia da exigência de nota fiscal para bicicleta pessoal (pareceu que ela só entendia a bicicleta nova, em caixa, transportada como encomenda, e não a bicicleta de uso pessoal). Por isto, disseram-me que é muito importante terem este contato direto com usuários, e conhecerem a realidade do dia-a-dia dos passageiros.

Denir Mendes Miranda
Brasilia – DF

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