Pedindo divórcio

“O longo e duradouro relacionamento do homem com o automóvel tem … se entranhado de tal forma em nossas vidas que talvez seja mais parecido com um casamento do que com um simples caso de amor.”
Henry Ford II em Judith Jackson, Man and the automobile: A twentieth-century love affair

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Nós levamos nosso romance com os carros ao extremo… e por que não?

Eles nos dão mobilidade e velocidade; podem ser bastante úteis e convenientes; possuem benefícios psicológicos ao refletir nossa personalidade, dando status e criando, pelo menos, um sentimento de privacidade num mundo cada vez mais populoso.

Mas o preço a ser pago é bastante alto. Acidente de carro está entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. As emissões dos escapamentos contribuem significativamente para o aquecimento global. Nossas cidades sofrem cada vez mais com congestionamentos e o espraiamento induzido pelo uso excessivo do carro.

Se considerarmos quanto usamos o carro, apesar de todos os problemas que isso gera, até o mais básico livro de auto-ajuda poderia identificar que isso não é amor, é vício. Em algum momento nos últimos 100 anos, nosso relacionamento com o carro se tornou ineficiente e estamos presos sem saber como sair. Mas dado todo os problemas conhecidos, nós temos que sair. Temos que mudar o papel que eles exercem em nossas vidas. Mas, após nos darmos conta disso, será que podemos mesmo? Nossa “carro-dependência” tem tornado mais difícil encontrar e utilizar alternativas. Contudo, elas existem e aplicá-las pode ajudar a resolver o problema.

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relação nada saudável

O que quer dizer exatamente: “divorciar-se do carro” ? Significa deixar para trás o tipo de relacionamento no qual o carro é como um marido num casamento deprimente – familiar, mas desgastante e difícil de se livrar como um vício – e substitui-lo por algo melhor. Hoje em dia é difícil de imaginar a mobilidade sem carro. Mas usá-lo apenas ocasionalmente quando não há mais nenhuma outra opção é bem diferente de tratá-lo como um parceiro.

O divórcio, como na vida real, pode assumir várias formas. Você pode:

  1. Vender o carro (e nunca mais vê-lo de novo)
  2. Dividir o uso com outras pessoas em casa ou no trabalho (como uma custódia compartilhada)
  3. Simplesmente dirigir menos (como um divórcio amigável com eventuais reencontros).

O divórcio pode significar viver sem carro (car-free), ou seja, não possuir um carro, usar transporte coletivo, andar a pé ou de bicicleta e quem sabe, bem de vez em quando, pegar um táxi ou um carro alugado ou emprestado se for realmente necessário. Ou pode ser apenas moderado (car-lite), onde você tem um carro, mas usa outros meios de transporte com mais frequência. O aspecto mais importante nisso tudo é a mudança de atitude em relação ao carro. É parar de achar que para qualquer lugar que você vá você tem que ir com ele.

Você acha que consegue?

extraído do livro: Divorce your car! escrito por Katie Alvord

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