Carro – as promessas impossíveis no início do namoro

Como em muitos relacionamentos, onde o parceiro promete mundos e fundos, no início do nosso relacionamento com os carros também houve promessas sem a menor procedência. Veja a seguir algumas das maravilhas propagadas sobre os carros na virada do século XX:

  • “É a invenção mais geradora de saúde dos últimos mil anos”, escreveu Frank Munsey, em 1903.
  • Viagens de carro eram consideradas boas para o fígado e eram recomendadas no tratamento da tuberculose. Uma autoridade de saúde em Nova Iorque escreveu que motoristas conseguiam se “exercitar” através do leve, mas proposital “esforço para manobrar o volante”.
  • Dirigir oferecia “uma ativação energética de todo o organismo”, aconselhava um escritor alemão.
  • “Em vilas e cidades o barulho das ruas será reduzido, uma benesse sem preço aos nervos cansados de uma geração combalida” previa a publicação Horseless Age em 1895. A revista também afirmava: “as ruas serão mais limpas, congestionamentos e bloqueios menos prováveis e acidentes menos frequentes“.
  • Scientific American previu em 1899 que os carros “eliminariam grande parte do nervosismo, distração e tensão da vida moderna nas metrópoles”.
  • O carro era enaltecido como gerador de serenidade, esquecendo alguns atributos menos gentis: “Em vez de perturbar a paz, o automóvel encoraja os prazeres do repouso e reflexão. Na verdade, ele é um eventual quebrador de ossos, mas isso se deve somente a propensão do homem de não olhar por onde anda”.

Nessa mesma época, alguns fatos já revelavam o que realmente estava por vir:

  • Em 1896, Bridget Driscoll foi a primeira pedestre a ser morta por um carro em Londres
  • O primeiro filme europeu sobre carros foi produzido em 1901 e se chamava: “O que se sente ao ser atropelado” (tradução livre de: “How it feels to be run over“)
  • Otto Bierbaum escreveu sobre sua viagem de carro de Berlim para Itália em 1902: “Nunca na minha vida me xingaram tanto. Cada dialeto alemão de Berlin a Dresden, Viena e Munique até Bolzano estava representado, assim como todas as línguas da Itália. Sem mencionar os palavrões sem palavras: línguas para fora, dedos para o alto, punhos ao ar, entre outros”.
  • Um pedestre francês escreveu uma carta aberta ao Chefe de Polícia de Paris em 1906: “Ontem a tarde às 18:00 na Rue de Courcelles, eu, minha esposa e filhos quase fomos atropelados por um senhor num automóvel que passou correndo na velocidade de um trem… Devo confessar que estou entre aqueles que julgam que as ruas de Paris não são mais seguras

Mas, apesar de todos esses indícios (desde o início do flerte com o carro) de que essa não seria uma relação saudável, a sedução era muito forte e muitos já estavam completamente cegos de amor por ele.

E você, qual sua relação com o carro ou seu meio de transporte?

Quais fatores influenciaram sua escolha: preço, conforto, potência, beleza, sustentabilidade… ?

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