Nem tudo são flores com o Vélib em Paris

Velib nas alturas
Vélib nas alturas

Vélib é, hoje em dia, o mais famoso e bem sucedido serviço de bicicletas públicas.

O nome foi escolhido a partir das palavras: lo (bicicleta) + liberté (liberdade). São 20.000 bicicletas disponíveis para aluguel 24 horas por dia, 7 dias por semana, distribuídas em estações pela cidade de Paris que estão mais ou menos 300 metros distantes uma da outra e conta com 78.000 utilizadores por dia. Até o início de fevereiro já foram feitas 42 milhões de viagens.

Mas há também algumas outras cifras preocupantes. Estima-se que 7.800 bicicletas simplesmente desapareceram. Além do prejuízo com os roubos, as bicicletas do Vélib também são:

Riscadas, desmontadas, quebradas, pichadas, queimadas, afogadas no Rio Seine… As ‘Vélib’ sofrem todos os maus tratos possíveis e imagináveis. Alguns engraçadinhos não param de inventar novos passatempos com as ‘Vélib’ e desafiam-se pela internet. (Vélib destroçado pelo vandalismo – Le Parisien)

No vídeo Velib freeride é possível ver um exemplo disso.

Vélib torta
Vélib na árvore

Um outro artigo do jornal Le Parisien informa que são realizados 1.500 consertos diariamente. Incluindo algumas manutenções básicas: “…pneus vazios, marchas e freios desregulados, …, correntes partidas e cestas destruídas. ” Problemas comuns para uso tão intenso. Programas semelhantes em outras cidades têm sido, aparentemente, menos traumáticos.

Quem fica com o prejuízo?
De forma resumida, é assim que funciona: a JCDecaux deveria instalar 1.250 estações e cuidar da frota de 20.000 bicicletas, enquanto que a Prefeitura de Paris lhe cederia a exploração de 1.600 painéis publicitários por 10 anos.

Vélib arte ?
Vélib arte ?

A princípio, os gastos com a depredação da frota já estariam previstos, contudo, ainda no mesmo jornal há um artigo onde a JCDecaux declara que quer dividir esses custos com a prefeitura de Paris por julgar insustentável a manutenção do serviço. Uma outra alternativa, proposta pela empresa e negada pela prefeitura, seria desativar as estações com maior número de bicicletas vandalizadas que são justamente as que ficam em regiões de renda mais baixa.

Entretanto, um artigo publicado pelo Streets Blog (Notícias sobre o fim do Vélib são exagerados) questiona se a JCDecaux não estaria se aproveitando da atenção da mídia para obter mais dinheiro da prefeitura:

..Agora, com a rede de Paris completa com 20.600 bicicletas e 1.451 estações construídas, penalidades por manutenção inadequada devem entrar em cena. Eis a causa para as reclamações da JCDecaux.

E mostra um outro ponto de vista:

“São em média 15 roubos por dia de um total de 80.000 usuários diários,” diz Eric Britton, fundador da New Mobility Agenda com sede em Paris. Dificilmente um golpe fatal. “Tá mais prum joelho arranhado.”

“Segundo os relatórios, JCDecaux arrecada cerca de 80 milhões de euros por ano com os painéis nas estações, de acordo com as estimativas de Britton.”

Contudo, os relatórios que a JCDecaux tem divulgado têm apresentado informações inconsistentes e divergentes.

Aqui seria diferente?
Tendo em vista que Curitiba também está considerando implantar um sistema como  esse, é preciso considerar situações como essas, além de alguns aspectos que já foram apresentados anteriormente no Blog da Bicicletada, como o modelo de bicicleta a ser adotado, o preço do serviço, a localização das estações e a segurança na região em que forem utilizadas.

O planejamento precisa ser feito de forma integrada. Não é possível pensar seriamente na bicicleta como alternativa urbana sem considerar seu impacto em todo o sistema viário e as devidas adequações.

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