Dez dicas para fazer supermercado (sem carro, claro)

Esse é o título de um artigo publicado originalmente num blog de Brasilia chamado Vida sem Carro para responder à pergunta: “Como você faz com as compras de supermercado?”

Vou apenas acrescentar alguns comentários ao texto original em destaque.

1. Saiba o que e quanto comprar. Antes de sair, veja o que você já tem. Calcule seu consumo. Faça listas, mentais ou em papel: mesmo que elas não sejam seguidas à risca, dão um bom balizamento. Afinal, você não vai querer ter o trabalho de comprar e carregar coisas só para jogá-las fora depois, não é mesmo?

Essa é uma dica válida para qualquer pessoa.

2.Faça a maior parte das compras no supermercado mais próximo. Ter pelo menos um supermercado com acesso fácil é importante se você quer deixar de depender do automóvel.

Até pouco tempo atrás havia um mercado em cada esquina porque era natural fazer as compras a pé com seu carrinho de feira. Retomar esse hábito é importante para tornar as ruas novamente um local de convivência seguro e agradável .

3. Se você vai a pé, em vez de fazer compras uma vez por semana ou a cada 15 dias, faça a cada 2 ou 3 dias. Menos coisas para carregar de uma vez só é um fator chave. Bônus: comidas mais frescas e mais promoções.

Exatamente o contrário da dica para quem usa carro: “Vá menos vezes ao supermercado, faça compras maiores”. Ora, isso é válido para o carro que é um meio de transporte poluente e a viagem costuma ser desagradável. De bicicleta, a lógica é inversa.

Alguns podem argumentar: “Pô, mas tem que enfrentar a fila toda vez ?!”
Lembrem-se que hipermercados é uma invenção para os carros que acabaram com o pequeno comerciante. O ideal mesmo é passar na vendinha da esquina, comprar sem burocracia  e ainda bater um papo com o padeiro.

4. Uma boa mochila é essencial. Em termos de conforto e eficiência, elas batem as sacolas plásticas de longe. Sem falar, é claro, na ecologia. Uma sacola de pano reutilizável também é uma boa idéia, para as compras menores. Uma sacola de plástico-bolha é útil para transportar itens refrigerados e congelados sem sustos.

Infelizmente essa ainda é a única alternativa para muita gente. No Brasil não existem muitos modelos de bicicletas com bagageiros e cestas robustas.

5.Uma bicicleta com bagageiro te dá duas vantagens: você tem mais supermercados para escolher, não só o da sua quadra, e você não carrega peso: é só colocar as compras na bike e pedalar. Acho que a melhor maneira de arrumar compras em um bagageiro é levar a sua mochila, encher a mochila, fechá-la e amarrá-la no bagageiro. Mesmo que você vá ao supermercado mais próximo, é melhor ir de bicicleta quando for comprar itens mais pesados (material de limpeza, por exemplo).

Aqui em Curitiba, tenho visto alguns ciclistas usarem aquele baú de moto. Ele é relativamente leve e deixa sua bagagem mais protegida. Até as bicicletas da Guarda Municipal utilizam.

6. Vários supermercados no Plano Piloto deixam a gente levar os carrinhos até os blocos. Se você se empolgar ou precisar comprar mais do que dá pra carregar, essa é uma ótima solução.

Os lojistas e comerciantes, em geral, podem oferecer diversas facilidades para seus clientes que fizeram uma opção mais sustentável. Como, por exemplo, oferecer estacionamento adequado para bicicletas.

7. Às vezes, não tem outro jeito a não ser fazer compras de ônibus. Quando eu morei em Águas Claras, o único supermercado que existia ficava do outro lado da cidade. Valem os mesmos cuidados das compras a pé: levar mochila e não se empolgar na quantidade. Como não dá para ir ao supermercado com tanta frequência, o planejamento correto das compras é de extrema importância. Além disso, vá fora dos horários de pico do sistema de transporte: ninguém merece andar num ônibus cheio com uma mochila cheia.

Essa dica está bastante relacionada à dica 2. O carro permite um deslocamento maior, com isso, a proximidade deixava de ser um fator fundamental. Além disso, a inviabilidade de prover estacionamento para os carros em todo mercadinho de esquina contribuiu para centralização dos serviços apesar de a maioria da população não possuir um automóvel.

8. Menos volume, menos peso = mais eficiência! Os itens mais pesados das compras, em geral, são aqueles onde a gente está transportando… água! Não precisamos fazer isso, já existe um elaborado sistema da CAESB para fazer chegar água potável às nossas casas. Portanto compre: leite em pó em vez de leite em caixas; chá em pó em vez de chá em garrafas; suco concentrado em vez de suco pronto; desinfetante concentrado em vez de diluído; e assim vai.

9. Faça compras pela Internet: se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Minhas experiências até hoje foram muito positivas. Os supermercados foram sempre cuidadosos em escolher as melhores frutas e verduras. Os frios e congelados vêm em embalagens apropriadas. E você recebe tudo no conforto da sua casa, no horário marcado. Ah, sim: quando eu fico com pena de pagar R$ 9 de taxa de entrega, eu me lembro dos R$ 900 por mês que custava meu carro.

O importante é realmente criar alternativas ao uso do transporte motorizado individual.

10. Se não der pra fazer nada disso (tipo: você precisa comprar 50 litros de refrigerante para uma festa de aniversário), bata no ombro da sua mãe, sogra, cunhado ou melhor amigo, explique a situação e peça uma carona ou o carro emprestado por algumas horas. Se todos recusarem, chame um táxi. Obviamente, esse é um último recurso: não abuse!

Uma alternativa para dica 10 seria o uso de uma carretinha para compras maiores.

É interessante notar como as sugestões do Rodrigo extrapolam a questão do transporte/trânsito e apontam para um novo estilo de vida que leva em conta a facilidade de acesso, proximidade e até mesmo ecologia (como a quarta dica). Parabéns pelo artigo.

Alguém tem mais alguma dica?

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