Por que dirigimos assim? Parte I

No site amazon.com foi publicada uma entrevista com Tom Vanderbilt, autor do livro: “Traffic: Why We Drive the Way We Do” (disponível em português: “Por que dirigimos assim?” ).

A seguir a tradução da entrevista:

Perguntas para Tom Vanderbilt, autor de “Por que dirigimos assim?”

Amazon: Esse livro realmente nasceu em uma estrada em New Jersey?
Tom: Sim, embora pudesse ter sido em qualquer estrada do mundo, onde motoristas incontáveis, dirigindo em uma estrada cheia, prestes a ter redução de uma faixa, tem que tomar uma simples decisão: quando mudar de faixa. Durante toda minha vida de motorista, sempre mudei logo de faixa, imaginando que essa seria a maneira educada e eficiente de fazer isso. Vi aqueles que continuavam dirigindo até o local de junção das faixas e entravam na frente de todos, como egoístas idiotas, que estavam dificultando a vida do resto dos motoristas. Comecei a imaginar: eles estariam realmente tornando as coisas piores? Eu estaria tornando as coisas piores? Essa junção de faixas poderia ser facilitada de alguma maneira? Por que existem junções no início e junções no final, e por que as pessoas ficam tão alteradas com isso? Naquele momento diário eu parecia sentir uma grande, amplamente inexplorada selvageria perante mim: O Trânsito.
Amazon: É verdade que a causa mais comum de estresse nas estradas são as junções? Por que da miríade de coisas que causam estresse nas estradas esta está no topo?

Junções
Junções

Tom: As junções são as atividades mais estressantes que enfrentamos diariamente ao dirigir, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Transporte do Texas. Pessoas que fizeram estudos nas áreas de construção nas estradas também me falaram do extraordinário mau comportamento, desencadeado por este simples ato de se tentar juntar duas faixas de trânsito em uma. Às vezes, é simplesmente o difícil mecanismo de dirigir – tentar entrar num fluxo de trânsito fluindo em uma velocidade maior do que a que você está, por exemplo. Motoristas, para citar um físico que na realidade estava falando de grãos, são objetos “que não interagem facilmente.” Mas eu acho que também tem alguma coisa a respeito do fluxo do trânsito que nós faz registrar o progresso apenas por nosso próprio, e desimpedido, movimento; como na vida, parece que registramos perdas com mais intensidade do que os ganhos, e registrar tais perdas aumentam o estresse.
Amazon: Você diz que, “Para a maioria de nós que não são neurocirurgiões, dirigir é provavelmente a atividade quotidiana mais complexa que fazemos em nossas vidas.” Como assim?
Tom: Os pesquisadores estimaram que existe algo em torno de 1.500 a 2.500 pequenas habilidades e atividades que precisamos realizar enquanto dirigimos. Mesmo a coisa mais simples – mudar a marcha – é um processo de tomada de decisão que é chamado “sobrecarga cognitiva”. Estamos operando máquinas pesadas, a velocidades que ultrapassam a nossa longa história evolutiva, absorvente (e descartando) enormes quantidades de informação, e tendo que tomar decisões rápidas – muitas vezes baseados em limitados avisos prévios, suposições sobre o que os outros vão fazer, ou um vaga conhecimento da legislação de trânsito atual.
Foram necessários anos de investigação, por exemplo, por alguns dos melhores pesquisadores de robótica do país, para criar caros e sofisticados “veículos autônomos” automáticos, que são basicamente medíocres motoristas principiantes que você nunca deixaria solto no trânsito do dia-a-dia. Quando nos esquecemos que dirigir não é necessariamente tão fácil como parece ser, nos metemos em problemas.

Senhor Volante
Senhor Volante

Amazon: Motoristas Americanos entrevistados dizem que as estradas estão ficando menos civilizadas a cada ano que passa. “Road Rage” é uma expressão cada vez mais comum. De quem é a culpa? Hummers? Ou nós estamos apenas começando a ser mal-educados?
Tom: Todo ano, mais pessoas dirigem por maiores distâncias, então um motivo para a sensação de que as estradas estão ficando cada vez menos civilizadas é, simplesmente, que há muito mais oportunidades para você encontrar um motorista agressivo ou mal-educado. É difícil colocar em números, mas eu sinto, como muitas pessoas, que esse comportamento se tornou qualitativamente pior – estudos têm sugerido, por exemplo, que usar a seta está se tornando cada vez mais uma atividade opcional. Desconsiderando a questão de que não sinalizar é ilegal (porque, falando sério, nunca vai ser possível multar todos os que não sinalizam, e provavelmente nem queremos isso), é uma dessas pequenas coisas, que exige pouco esforço por parte do motorista, e que permite que o trânsito flua mais suavemente – eu próprio já buzinei inúmeras vezes para “idiotas” que diminuem a velocidade sem razão aparente, apenas para ver eles finalmente virarem.
Trata-se de comportamento anti-social, o equivalente a ter a porta aberta para que você passe e não dizer nada em troca. Então por que é que as pessoas não sinalizam? Minha teoria imediata é que elas estão usando o telefone celular e estão distraídas ou são fisicamente incapazes de sinalizar. Mas uma razão mais profunda, eu suspeito, pode ser observada nas pesquisas de psicólogos que medem o narcisismo na cultura americana. Eles descobriram que, com o passar do tempo, mais pessoas estão dispostas a dizer coisas do tipo “Se eu governasse o mundo, seria um lugar melhor.”

O trânsito está cheio de pessoas que pensam que as ruas pertencem somente a elas – é o “MySpace” – que estar dentro do seu automóvel lhes absolve de qualquer obrigação para com qualquer outra pessoa.

As pessoas se sentem contentes de contar que o seu filho é um estudante de honra do ensino médio – como se alguém ligasse! – mas eles acham que é menos importante lhe dizer o que eles vão fazer no trânsito.

Continua na próxima semana…

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