Ciclista urbano precisa, antes de tudo, é de coragem

Uma vez, há não muito tempo, uma amiga que anda de bicicleta basicamente pra se exercitar nas ciclovias curitibanas me perguntou se eu não tinha medo de andar entre os carros. Então ela me contou que um dia ela tinha tentado ir de algum lugar perto do Shopping Mueller até o Passeio Público pela rua, mas se sentiu muito apreensiva.

Acho que muitos ciclistas urbanos diriam que isso é coisa do começo, porque você ainda está inseguro, ou algo do gênero. Mas eu respondi que sim, de fato, é perigoso andar entre os carros e é preciso, antes de tudo, muita coragem.

Até hoje, depois de aproximadamente dois anos andando quase diariamente de bicicleta, eu ainda me sinto insegura, às vezes. E isso apesar de ter aprendido a me impor no trânsito e adotar várias atitudes preventivas. Há dias que chego em casa pensando em desistir. É assim que me sinto, e acredito que não adianta esconder isso pra fazer com que mais pessoas optem pela bicicleta como meio de transporte prioritário.

Acredito também que sentir perigo no trânsito não deve me fazer desistir. E também não deve fazer com que eu simplesmente sinta raiva dos motoristas, aqueles “seres malignos” que querem me atropelar a qualquer custo, ou de políticos e governantes, aqueles “porcos” que só pensam em criar mais e mais vias pros carros. Coisas que muitos ciclistas pensam.

O movimento é, sim, de resistência. Mas também deve ser de busca por melhores condições de tráfego da bicicleta na cidade. É nesse momento que a gente se envolve com alguma causa, certo? No meu caso, teve a Bicicletada e depois o Grupo Transporte Humano.

Não é obrigatório, é claro. Mas às vezes penso que todo ciclista urbano deveria ser, por causa do que ele vive no seu dia-a-dia, uma pessoa pelo menos um pouquinho engajada, não é não?

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *