Ciclista da vez – Luis Carlos Bulek

Um ano de bike !
No mês passado, fez um ano que eu voltei a pedalar, tive um pequeno intervalo entre as idades de 10 a 48 anos, lembro ainda da minha primeira e única bicicleta de infância, uma Odomo, muita ralação de joelhos e coxas naquela bicicletinha, meu pai comprou porque era a mais barata, não podia comprar uma Caloi ou Monark.

O retorno
Deixando a poeira do passado baixar resolvi (re)começar a pedalar, agora com 48 anos, foi uma boa opção já que nunca me dei bem em esportes, e última vez que joguei futebol, quase me arrancaram as pernas, nunca joguei nada mesmo, e resolvi que não ia morrer numa arena pra diversão dos Romanos. Tentei também academia, achei aquilo um saco além de pagar pra ficar vendo braços e coxas peludas de mulecada bombada exibindo os seus dotes físicos, que neura aquilo meu. Peguei uma gripe e desisti. Ainda bem. Foram três longas aulas.

Decidi então, andar de bike, mas não queria ainda gastar dinheiro com isso, então encontrei uma velha bike empoeirada, na garagem do prédio do meu pai, que comprou pro meu filho, que logo desistiu da maldita, a princípio fiquei brabo com ele por desistir de andar de bike, mas logo entendi, foram os piores 4 km da minha vida, entre a casa de meus pais e a minha, xinguei até a última geração do fabricante daquela maldita bicicleta, minha bunda ficou com febre, nunca vi bunda ficar com febre, mas a minha ficou, de tão ruim que era aquele selim, não sei como podem vender uma porcaria daquelas.

Coisa séria
Mas tudo bem, não desisti, troquei o selim e continuei pedalando, andei um mês e pouco com aquela porcaria, mesmo com a corrente volta e meia escapando. Foi quando resolvi chutar de vez pra escanteio a bichinha.

Luis Carlos Bulek dando uma voltinha
Luis Carlos Bulek dando uma voltinha

Fiz amizade com o cara que tem oficina de bike perto de casa e resolvi montar uma pra mim, foi a melhor coisa, não gastei muito e fiz uma máquina boa. Quando pedi pro sujeito montar a bicicleta, ele me olhou com aquela cara de quem diz – mais uma que vai ficar empoeirando na garagem ?! E quase dois meses depois, eu já estava contando pro cara que tinha ido a Colombo (Grutas do Bacaetava), o que deu aproximadamente 64 Km rodados, não é muito pra hoje, um ano depois, mas pra época foi um suador danado, uma dor nas pernas legal, mas consegui, foi uma vitória pessoal, e a mudança de bicicleta foi algo como trocar um Jeep por uma Lamborgini.

Então resolvi que não ia largar mais a bike, que ia ser o meu meio de transporte, adeus buzão, adeus esperas intermináveis e a cidade foi ficando pequena pra mim. Interessante quando falo com as pessoas, e me dizem que moram longe e como não tenho carro, então vou demorar mais de uma hora de ônibus pra chegar lá, e quando apareço lá em 30 minutos, elas se surpreendem, mobilidade é isso ai, como um motor 4.9 e bebendo apenas 2,5 litros a cada 120 km.

Alargando horizontes
Disseram-me esses dias que fiquei fanático por bicicleta, que mudei minhas opiniões de forma muito radical em relação ao trânsito, a cidade e as pessoas. Na verdade não me considero radical, mas acho que acabei vendo essas questões de outro ângulo. Saí da caixa, justo eu que era um motorista que reclamava do ciclista atrapalhando a minha frente. Que imbecil totalflex ! Hoje entro num carro, fico estressado, quase tive um troço dirigindo em São Paulo, mais nem vou entrar fundo nesse assunto, porque dá uma tese de mestrado legal.

O fato é que comecei a pedalar pra sair de uma vida sedentária e estressante, o único esporte que praticava era futebol no micro, a vida estava difícil, andava pior que meu velho pai de 72 anos. Agora passado um ano, já fui a algumas cidades mais próximas a Curitiba, ao litoral algumas vezes, devo ter feito aproximadamente uns 5500 km, não sei ao certo porque a porcaria do ciclo-computador quebrou quando estava em 4800 km. Não que isso seja um feito heróico que deva ganhar uma medalha ou uma placa comemorativa, mas pra quem pedala sabe do estou falando.

Agora tenho outras pretensões, pendurar uns alforjes em minha bike, e fazer viagens mais longas, por que hoje já considero distâncias de aproximadamente 100 km como um passeio. Não tive e nem tenho pretensão de virar atleta, de virar véio bombado, mas sei que sou um cara mais feliz hoje, nestas longas pedaladas pelas estradas, fico numa relação mais próxima entre mim e o meio ambiente, vejo e ouço as coisas com mais atenção.

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