Em processo de desintoxicação – parte I

O texto abaixo foi publicado originalmente no blog DoRabuja por Nicholas Arand. Ele retoma uma discussão publicada no início deste blog no artigo Pedindo divórcio.


Faz mais ou menos um mês e meio que decidi que já era hora de levantar a cabeça para a realidade e começar uma luta interna e externa para largar um vício que carrego fazem muitos anos.

O primeiro passo para largar um vício é reconhecê-lo, não necessariamente ainda como um vício, mas pelo menos como um problema. Sempre encarei este problema não como tal e mais como uma opção, preferência, hobby, no máximo um hábito. Hoje, depois de mais de trinta dias lutando contra ele, com algumas batalhas ganhas entretanto longe ainda de uma vitória absoluta, já tenho completa convicção que é de vício que se trata.

Uma vez reconhecido o problema, ainda classificado como um hábito, e após uma longa análise sobre quais aspectos de minha vida teria eu que mudar se quisesse alguma chance de sucesso, percebi que eu deveria iniciar a luta com um investimento significante.

A importância de se investir em algo antes de dar os primeiros passos é a força psicológica que este ato tem, dando-te uma maior sensação de perda quando uma pequena batalha é perdida.

Esta sensação é fundamental para que se tenha sempre a motivação necessária para que tropeções momentâneo sejam imediatamente seguidos de reerguidas, pois tropeços sempre existirão, o importante é não se largar estatelado no chão, mas imediatamente levantar-se e apressar o passo para tentar recuperar a vantagem. Muitas vezes é esta a atitude que separa um fracasso de um sucesso.

Na primeira semana de luta senti o primeiro sintoma da abstinência. Vencida parte da barreira psicológica, enraizada a vontade de largar o hábito, senti já no primeiro dia sintomas fortes de dependência física. Dores musculares, sudorese e muita, muita sede, sem contar com uma inexplicável sensação de insegurança. Tão fortes foram estes sintomas que tive a primeira recaída, e depois de um dia limpo, voltei a sujar minha consciência uma vez mais. No terceiro dia minhas convicções e a lembrança do investimento feito me colocaram novamente nos eixos e consegui passar mais um dia limpo.

Mas novamente os efeitos físicos foram sentidos, e desta vez mais fortes que da primeira: muito suor, cheguei a reconhecer uma mudança em meu cheiro ao longo do dia, ataques de sede, dores no corpo e até cãimbras. As cãimbras realmente me assustaram, mas serviram para eu reconhecer ainda mais o problema e realizar a profundidade física, ou fisiológica, da dependência.

Acho que neste dia comecei a reconhecer que era viciado, física e psicologicamente.

Continua na próxima semana…

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *