A importância de comunidades caminháveis

Hoje em dia há uma forte evidência que as redes sociais e o envolvimento comunitário tem consequências positivas à saúde. Pessoas socialmente engajadas e ativamente envolvidas nos seus bairros tendem a viver mais e ser mais saudáveis física e mentalmente. O conceito de capital social está vinculado com uma melhor saúde. Quanto maior o envolvimento e a confiança de uma vizinhança, mais retorno em forma de saúde. Num texto sobre Capital Social, Putnam observou que a sociedade norte-americana:

Quanto mais integrados nós somos com nossa comunidade, menor as chances de sofrer ataques do coração, resfriados, infartos, câncer, depressão e morte prematura de qualquer tipo…Nos últimos 20 anos, mais de uma dúzia de estudos extensos tem mostrado que pessoas que são desconectadas socialmente têm de 2 a 5 vezes mais chances de morrer de qualquer causa que seja em relação a indivíduos com laços estreitos com a família, amigos e comunidade.

Este texto fornece um resumo de um trabalho(2) que buscou delinear  as evidências existentes e em seguida examinar se vizinhanças voltadas para pedestres, de uso misto encorajam níveis mais elevados de socialização e engajamento comunitário. O estudo investigou o relacionamento entre o traçado das vizinhanças e níveis individuais de capital social. Dados foram obtidos a partir de uma pesquisa em residências que mediu o capital social de cidadãos morando em vizinhanças que variavam de modelos tradicionais de uso misto, voltado para pedestres até modelos suburbanos, modernos, dependentes do automóvel em Galway, Irlanda.

A análise indicou que pessoas morando em vizinhanças caminháveis de uso misto têm níveis mais altos de capital social em comparação àquelas  que moram em subúrbios voltados para o uso do carro. Aqueles que vivem em vizinhanças caminháveis tendiam a conhecer melhor seus vizinhos, participar politicamente, confiar nos outros e serem engajados socialmente. O autor concluiu que vizinhanças como essas podem encorajar o desenvolvimento do capital social.

Mais recentemente, um estudo de caso controlado da Bélgica informou que residentes de um bairro facilmente caminhável davam muito mais passos por dia do que outros onde andar não é encorajado, além de andar mais  para se transportar.(3) Análises adicionais mostraram que viver num bairro caminhável também estava associado com a preferência pelo  transporte passivo e/ou a intenção em andar ou pedalar. Outros estudos também mostraram que a maior presença de oportunidades para ser mais fisicamente ativo geradas pelo próprio traçado urbano tem maior influência na socialização do que a escolha de moradores com interesses em comum em morar num mesmo bairro.4


1 Putnam, R., 2000 Bowling alone: The collapse and revival of American community. New York: Simon & Schuster.
2 Leyden, K. 2005 Social capital and the built environment: The importance of walkable neighbourhoods, American Journal of Public Health, 93: (9): 1546-1551.
3 Van Dyck, D., Deforche, B., Cardon, G., Bourdeaudhuij, I. 2009 Neighbourhood walkability and its particular importance for adults with a preference for passive transport, Health and Place, 15: 496-504.
4 Heath, G., et al 2006 The effectiveness of urban design and land use and transport policies and practices to increase physical activity: A systematic review, Journal of Physical Activity and Health, 3, Suppl 1, S55-S76.

Este artigo foi originalmente publicado por Adrian Davis em 20/02/2009 no site Act TravelwiseThe importance of walkable communities.

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