Locais de trabalho amigos da bicicleta

Bike to Work

Eu costumava fingir que era o super-homem, duas vezes por dia. Eu não saltava de prédios altos, não salvava pessoas nem nada disso. Mas eu trocava de roupa em espaços apertados e a imagem do super-homem sempre me vinha à cabeça. Eu pedalo para ir ao trabalho e na minha empresa não tinha onde se trocar. Então, de manhã cedo e no fim da tarde eu seguia minha rotina de super-homem usando um banheiro em vez da cabine telefônica. Boa parte das manhãs, eu entrava na “casinha” de calção e camiseta  com o alforge na mão e ressurgia de saia e blusa. Meu trajeto não era tão longo para me preocupar com o suor, mesmo assim não era um processo muito digno e sempre havia o risco de mergulhar uma das mangas na privada.

Naquele emprego, eu corria escada abaixo durante as pausas e hora de almoço para verificar se a minha bicicleta ainda estava no lugar onde havia deixado. Eu sabia que gostava de andar de bicicleta. que minha beneficiava minha saúde, que eu tinha mais grana no bolso e que pedalar era ecológico. Mas não passou pela minha cabeça que meu empregador estava se beneficiando ou que ele tivesse que fazer qualquer coisa para apoiar minha opção de transporte. Isso foi há muito tempo atrás e hoje em dia, muito mais pessoas – tanto empregadores quanto empregados – reconhecem a importância de um local amigo da bicicleta. Algumas companhias encaram seu apoio à mobilidade susntentável  como um diferencial para seus empregados. Outras veem como uma demonstração de responsabilidade social. Mas existe – ou pelo menos certamente poderia existir – um elemento de interesse próprio. É possível ser um empregador generoso e um bom cidadão e ainda assim manter o foco na questão básica.

Em São Francisco, por exemplo, onde estacionamento de carros é visivelmente escasso, os empregadores descobriram um efetivo sistema de reembolso de estacionamento para gerenciar a demanda. Os empregados podem abrir mão de estacionar na empresa e receber o valor de custo do estacionamento em dinheiro. Esse sistema mostrou-se eficiente porque ele não força ninguém a desistir do carro, nem do estacionamento, mas recompensa quem o faz. Com os elevados custos de construção e manutenção de um estacionamento, empregadores conseguem fazer uma grande economia.

Para ser justo com não-motoristas e apoiar o transporte sustentável, demais empregadores tem oferecido diferentes formas de incentivo aos empregados ciclistas. Por exemplo, dar a cada empregado um subsídio mensal de US$70,00 para despesas com transporte. Os empregados podem decidir gastar com estacionamento que custam em torno de US$200,00 ou gastar com transporte coletivo ou podem embolsar a grana e andar ou pedalar para o trabalho.

Desde 1989, a companhia química Ciba-Geigy Switzerland já tinha dado um passo além disso: eles evitaram completamente ter que construir ou alugar um novo estacionamento ao incetivar que os funcionários pedalem. Qualquer um disposto a abrir da vaga ganhava uma bicicleta nova em folha. Duzentos e trinta empregados fizeram essa escolha. O que foi muito mais barato para a empresa e muito mais saudável para os empregados.

A Cidade de Nova Iorque tomou medidas para resolver um problema de longa data para os ciclistas urbanos ao aprovar a Lei de Acesso de Bicicleta a Prédios Públicos em dezembro de 2009. A lei exigia que os ciclistas tivessem a possibilidade de estacionar as bicicletas de forma segura dentro ou muito próximo dos seus locais de trabalho, efetivamente fazendo com que os empregadores tornassem os locais de trabalho mais amigos da bicicleta.

Governos podem promover ambientes amigos da bicicleta ao oferecer incentivos fiscais. No Reino Unido, por exemplo, o Plano de Transporte Verde do Governo possibilita que os trabalhadores obtenham uma nova bicicleta e equipamentos pela metade do preço praticado no comércio. De acordo com o plano, o empregador se cadastra e paga pelas bicicletas e equipamentos e na verdade faz um arrendamento ao empregado. No final do período (entre 12 e 18 meses), o empregado pode comprar a bicicleta pelo valor com desconto.

Apesar de isenção de taxas e bicicletários melhorarem a atitude em relação ao uso da bicicleta, eles não são suficientes para efetivamente encorajar a pedalada ao trabalho.O que uma empresa realmente amiga da bicicleta faz?

Na Pottinger Gaherty Environmental Consultants(PGL) em Vancouver, Canada, muitos empregados vão de bicicleta para o trabalho. PGL tem uma sala protegida e com chuveiros para os ciclistas. Empregados também recebem uma mesada de US$40,00 para despesas com bicicletas ou transporte público. A companhia também participa das atividades locais da Semana Bike-to-Work.

PGL tem ainda outros incentivos. Ela escolheu fixar sua sede na região central em vez dos subúrbios comerciais para facilitar o uso do transporte público. E apesar de empregados em início de carreira precisarem de carros própios para realizar o trabalho de campo, PGL evita isso participando de uma organização local de compartilhamento de carros (car-sharing). Os empregados têm acesso a eles quando precisam, não precisam ter um carro próprio e não tem carros ociosos na companhia – mais uma economia para empresa. Os resultados? PGL tem uma porcentagem baixíssima de evasão de funcionários (mais uma forma de reduzir gastos) e as pessoas gostam de trabalhar lá.

Apesar da mudança de escritório não ser prática a curto prazo, empregadores podem tomar medidas para tornar suas dependências mais amigáveis aos ciclistas. A Associação de Ciclistas de São Francisco fornece online um Guia do Empregador que descreve passo a passo como tornar um local de trabalho amigo da bicicleta. Indo um pouco além, goDCgo em Washington criou um programa chamado “Bike Brand your Biz”, que orienta empresários locais sobre como receber adequadamente os autopropelidos.

Mais e mais empresários estão entrando na onda da bicicleta. Em 2010, a gigante IKEA anunciou que estava dando a cada um de seus 14.200 empregados americanos uma bicicleta nova de natal. Por que uma bicicleta? “Porque,” disse, “quando se trata de transporte sustentável, uma bicicleta é uma grande opção.” Por que anunciar isso ao mundo. Presumivelmente a companhia acreditou que associar sua imagem às bicicletas seria um bom negócio.

Existem prêmios a serem ganhos por ser amigo da bicicleta hoje em dia. A Liga de Ciclistas Americanos, uma das principais organizações do Estados Unidos, estabeleceu um programa para homenagear os esforços de empregadores que promovem o ciclismo e fornecem assistência técnica e informação apra que se tornem ainda melhores. Empresas são classificadas em bronze, prata, ouro e platinum (sabiamente construindo objetivos para melhoria de todas que chegam perto de ser platinum) pelo seu apoio ao deslocamento por bicicletas. Apesar do processo de avaliação ser rigoroso, os “créditos verdes” aparentemente compensam para muitas empresas: inscrições aumentaram em 45% de 2009 para 2010. Se a tendência continuar, não vai mais ser preciso se sentir um super-herói para ir de bicicleta para o trabalho.

Se você está curioso para saber quanto o seu chefe é amigo da bicicleta, visite o site de Melhores Locais de Trabalho para ir Pedalando (Best Workplaces for Commuters). Se você é um empregador que gostaria de fazer seu ambiente de trabalho mais amigo da bicicleta, aqui vão algumas sugestões:

  • uma atitude receptiva no trabalho
  • um local seguro, acessível e seco para estacionar
  • espaço para trocar de roupa e/ou tomar banho
  • rotas seguras, diretas, convenientes e atrativas para chegar ao trabalho
  • informações claras e disponíveis sobre as rotas de acesso e a localização dos bicicletários e demais instalações

Artigo original em inglês por Bonnie Fenton

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