Se ao menos toda cidade tivesse um lutador mascarado para defender os pedestres

Sabe quando você está tentando atravessar a rua e um motorista chega no cruzamento, como se você nem estivesse lá? Passando por cima com a sua grande caixa de metal como se dissesse: “Ei, saia do meu caminho, seu fracote de carne e osso!”

Você não adoraria se um super-herói chegasse voando, enfrenta-se o idiota atrás do volante e bloqueasse o carro para que você pudesse atravessar com segurança?

Entra em ação Peatónito, o defensor mascarado mexicano de pedestres!

Peatónito é o alter ego de Jorge Cáñez, um cientista político de 26 anos de idade na Cidade do México, que também trabalhou com o Instituto de Transporte e Desenvolvimento (ITDP).

Cáñez criou Peatónito para ser um defensor dos direitos do pedestre no espaço público. Ele veste uma capa e uma máscara na tradição de Lucha Libre, o estilo de luta popular mexicana. Sua missão, segundo ele, é proteger o direito, constantemente agredido, de passagem do pedestre nas ruas da Cidade do México, onde, em média, um pedestre é morto por um veículo a motor a cada dia e muitos outros são feridos. Sua máscara é preto e branco, as cores de uma faixa de pedestres.

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A idéia de ser o defensor de pedestres só veio porque ninguém, nem mesmo as autoridades, nem os cidadãos, fez algo para melhorar a situação dos pedestres “, ele me disse em um e-mail (eu editei um poucos suas palavras para mais clareza). “Comecei sendo parte de alguns grupos que pintam faixas de pedestres nas ruas da Cidade do México. Mas eu decidi que precisávamos de algo mais visível e amigável. Como você sabe, luta livre mexicana (Lucha Libre) é muito popular no México, faz parte da nossa cultura. É por isso que eu decidi resgatar os valores de Lucha Libre e levá-los para as ruas … para reclamar justiça para o rei das ruas: Os pedestres

A primeira vez que ouvi falar de Peatónito foi durante Social Media Week, em Nova York, quando ele foi mencionado por Natália Garcia, uma brasileira que estava falando em um painel sobre participação cívica no desenvolvimento urbano. Participação cívica é tudo o que Peatónito faz. “Meus maiores sucessos ocorrem quando os pedestres se sentem seguros para atravessar as ruas e eles me agradecem”, diz ele. “Também, quando os motoristas mudam de opinião e entendem que os pedestres têm prioridade nas ruas. Ambas as coisas são importantes, porque estamos falando de uma iniciativa cidadã social, de cidadão para cidadão.”

A caráter, Cáñez e seus aliados saem para a rua e fisicamente bloqueam carros que avançam sobre o espaço de pedestres, pintam faixas de pedestres onde antes não tinha, dam palestras sobre os direitos de pedestres e liberam calçadas de quaisquer possíveis obstruções para que as pessoas a pé possam passar. A recepção, diz ele, é boa – porque ele mantem uma atitude positiva. “A maioria das pessoas ri e se diverte com isso”, diz ele. “Até mesmo os motoristas, porque precisamos ser amigável com eles. Eles também são cidadãos, e em algum momento do dia, eles são pedestres também. Há poucos motoristas que tomam o lado pessoal e ficam loucos, e minha única arma nesses casos é o de ser mais amigável e pacífico ainda.”

Seus esforços fizeram com que fosse convidado para falar na conferência da Walk21 em 2012 e se reuniu com funcionários do departamento da Cidade do México de segurança pública para discutir a importância de colocar os pedestres em primeiro lugar no planejamento viário e controle de tráfego. Ele está esperançoso sobre os esforços do governo para melhorar a infra-estrutura. Pelo menos, ele diz, eles estão falando agora priorizar os pedestres prioridade – o que só faria sentido em uma cidade onde 80 por cento da população não dirige.

Essa pode ser uma abordagem bem-humorada, mas o problema é muito sério. A Cidade do México tem uma das mais altas taxas de mortalidade de pedestres do mundo, de acordo com um relatório de 2003 do Instituto Nacional de Saúde Pública do México:

A taxa de mortalidade bruta para atropelamentos na Cidade do México foi de 7,14 por 100 mil …. A concentração de mortes foi observada em 10 bairros com alguns tipos específicos de ruas. Os factores subjacentes incluem cruzamentos perigosos e ausência ou inadequação de travessias para pedestres, bem como percepções negativas da segurança viária por pedestres.

Estas são todas as questões que este defensor mascarado está pronto para lutar. “Os motoristas acham que a cidade foi feita para eles, mas a realidade é que todos nós somos pedestres, e as ruas devem ser feitas para o povo”, diz ele. “Uma vez que o governo adotou o ‘pedestre é o rei” em seus discursos, eu estou indo para monitorar e ajudá-los até o dia em que não houver mortes de pedestres nem acidentes, e também calçadas decentes e cruzamentos seguros nas ruas. Mas mesmo se o governo me chamar para colaborar, eu sempre serei um herói cidadão não-partidário do domínio público. ” Ele registrou Peatónito sob a licença da Creative Commons, de forma que qualquer um que queira pode se tornar Peatónito.

“Todo mundo pode usar a máscara e lutar nas ruas pelos direitos de pedestres”, diz Cáñez. “Desde que seja tudo de forma pacífica e amigável.”

Este artigo foi publicado originalmente em inglês por Sarah Goodyear. Ela tem escrito sobre as cidades em diversas publicações, incluindo Grist e Streetsblog. Ela vive no Brooklyn.

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