Com crianças e sem carro

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Às vezes, eu fico até me achando meio bobo em publicar artigos como: Bebês não precisam de carro e histórias sobre as saídas de bicicleta com minha filha. Considerando que o fato em si não apresenta nenhuma novidade, já que existe uma boa parte da população que também cria seus filhos sem possuir um automóvel.

Mas apesar disso, existem algumas pessoas que consideram absurdo ter filhos sem ter carro. E que nas grandes cidades, o trânsito é assim mesmo. Elas não enxergam que a sua rotina em usar o carro contribui significativamente para o problema. Daí eu percebo que talvez o meu relato não seja tão trivial assim.
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Legenda
Garoto: Posso ir de bici pra escola mãe?
Mãe: Não, querido… Tem muitos carros, não é seguro.
Homem: A maioria dos motoristas nesse horário são pais levando os filhos pro colégio.
Mãe: Seu argumento?
Homem: Feito.


Primeiro porque é uma demonstração para quem está com a pulga atrás da orelha. Alguém que acha que um outro jeito de fazer as coisas é possível mas ainda não sabe bem como. Segundo porque é uma forma de mostrar para as pessoas que não conseguem imaginar suas vidas sem um carro estacionado na garagem de casa que existem diversas possibilidades e alternativas. Basta elas se permitirem imaginar. E terceiro porque boa parte das famílias sem carro não têm outra opção. Elas não escolheram viver assim. Pelo contrário, a falta dele é motivo de tristeza, ansiedade e até mesmo vergonha. E isso faz toda a diferença do mundo, mas não precisa ser assim.

Isso acontece por alguns motivos. Para alguns, o  problema original que consiste em conseguir realizar todos os deslocamentos necessários (será que a gente precisa mesmo se deslocar tanto assim?) de forma rápida, barata e confortável, vai, aos poucos, dando lugar ao desejo de possuir simplesmente pelo prazer de possuir (um carro, por exemplo). Muitos outros, que cresceram na sociedade do automóvel, simplesmente não enxergam ou não tem coragem de largar o carro. Mas nem todos pensam assim, é o que mostra a reportagem de capa da Revista Época do final do mês passado:

Ao nascer, viajavam em suportes tipo canguru. Bolsas com fraldas e mamadeiras iam na mochila. “Parece difícil levar a bagagem de bebês, mas não foi”, diz. Hoje, com 3 e 4 anos, os filhos andam em cadeirinhas, numa bicicleta tamanho-família. Lourenço diz que nunca sofreram um acidente. “É tão confortável que eles se acostumaram a dormir no caminho.” A casa de Lourenço tem 11 bicicletas. As menores são dos filhos. Recentemente, os dois foram à escola pedalando por conta própria – e sem rodinhas. “Ganhei minha autonomia aos 18 anos, com o carro”, diz. “Eles estão ganhando a deles, tão pequenininhos, de forma tão saudável.”

Ou alguns exemplos de outros países

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“Eu achei que tinha feito a maior besteira de toda a minha vida.” Com todo esse peso (só a bicicleta pesava bem mais de 45kg), Emily mal podia pedalar. “Eu me matava de fazer força,” ela disse, “Eu achei que nunca ia conseguir pedalar. Era extremamente exaustivo.”

Mas Emily era comprometida. Não havia como voltar atrás. “Eu simplesmente continuei pedalando… Eu me acostumei e agora eu e a bici somos um.” A bicicleta mudou Emily de várias formas. “Antigamente eu vivia deprimida, mas eu fiquei tão feliz depois de receber a bicicleta. Eu simplesmente adorei.”

Bike Portland

Já são quase três anos desde que viramos papais e já testamos muitas alternativas para o dia a dia. O que nós percebemos é que quanto mais pessoas se permitirem imaginar e experimentar essa diversidade de opções mais fácil e agradável será para todos.

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