Pedalando em Nova Iorque

Nova Iorque figura em sétimo lugar entre as 50 melhores cidades para se pedalar nos Estados Unidos de acordo com a Bicycling Magazine. E como em todos os casos de cidades amigas da bicicleta, existe um investimento constante e um planejamento a longo prazo na estrutura cicloviária.

Um dos exemplos mais recentes do comprometimento com a ciclomobilidade de Nova Iorque foi o lançamento do sistema de compartilhamento de bicicletas (Citi Bike) no final de maio de deste ano que iniciou suas atividades com cerca de 300 estações e milhares de bicicletas. Uns dois meses após a inauguração, o sistema já tinha ultrapassado 1 milhão de viagens e já está sendo expandido.

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Desde 2006 foram construídos mais de 1.000km de ciclovias, ciclofaixas ou ciclorrotas. A cidade também disponibiliza milhares de paraciclos pela cidade, além de estacionamentos cobertos. Também distribuiu mais de 23.000 capacetes gratuitamente, apesar de não ser um item obrigatório. Para quem quiser conferir um pouco de toda essa estrutura pode consultar os mapas da cidade ou buscar a melhor rota em Ride the City.

É neste contexto que chego em NY no verão de 2013. Rodei apenas por 2 dos 5 “boroughs”  que compõem a cidade (Manhattan e Brooklyn) mas nos primeiros dias já havia experimentado alguns tantos modais de transporte disponíveis: ônibus, metrô, trem, carro e principalmente a pé e de bicicleta. Faltou ainda moto e barco. Sem sombra de dúvida, um bom princípio de mobilidade a ser seguido é disponibilizar o maior número de opções possíveis.

Para quem está acostumado com Curitiba, andar e pedalar em Manhattan é mamão com açucar. Apesar do tráfego relativamente intenso, as faixas foram reprojetadas para acomodar as bicicletas. Tanto ciclistas quanto pedestres conseguem se deslocar bem, notadamente por terem o espaço urbano pensado também para eles. Todas as guias são rebaixadas, facilitando a circulação de pedestres em geral, inclusive cadeirantes, carrinhos de bebê. Várias ruas foram reduzidas e criaram-se inúmeros “oasis”. Eles simplesmente retiraram o espaço dos carros e transformaram as ruas em pequenas praças com cadeiras, guarda-sol e plantas. São pequenas ações adotadas de forma sistemática que visivelmente tornam o espaço urbano mais convidativo.

Experimentei também a Citi Bike, em várias ocasiões. Como a região é plana, uma bicicleta com três marchas atende muito bem. Mesmo sendo um pouco pesada, ela é macia e bastante confortável. Cruzar as pontes é um espetáculo a parte. Única ciclovia totalmente segregada que experimentei. Tem até um mirante para quem quiser dar uma paradinha para recuperar o fôlego e admirar a vista. E deu para notar que não apenas turistas mas os próprios novaiorquinos já estão usando o sistema. Eu conheci três deles que já aderiram ao plano anual, onde você tem direito a viagens (de 45 minutos) ilimitadas durante um ano e não custa nem cem dólares!

citibike

Certamente, o sistema por si só não se paga, mas as vantagens que ele proporciona ao desafogar o tráfego motorizado e as lotações do transporte de massa superam qualquer investimento. Infelizmente, nem toda cidade enxerga dessa forma.

A bicicleta definitivamente faz parte do cotidiano de Nova Iorque, resultado de um investimento sério ao longo de muitos anos.

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