Condução e equilíbrio

Um livro bastante interessante sobre a ciência da bicicleta foi publicado pelo MIT, uma das universidades mais importantes do mundo na área de física e tecnologia.

Um dos assuntos abordados é uma análise detalhada sobre as forças físicas que atuam sobre o ciclista e bicicleta em movimento para que o sistema permaneça em equilíbrio, sem cair. Eles constataram que condução e equilíbrio estão intimamente ligados. Além da força paralela ao solo, gerada pelo deslocamento, são os pequenos movimentos laterais do guidão e consequentemente da roda dianteira (pelo menos, na grande maioria das bicicletas) que permitem que a bicicleta não tombe de lado.

Ou seja, uma bicicleta sem a rotação do guidão é “impedalável”. Não apenas porque ela seguiria somente uma linha reta, mas porque seria inviável manter o seu equilíbrio.

Isso é facilmente observável em qualquer iniciante. Quem está começando a pedalar, agita o guidão vigorosamente em busca do equilíbrio. Com o tempo e a prática, o movimento fica extremamente sutil, porém ainda está lá.

Tudo isso é muito interessante mas e daí? Bom, para mim, existem implicações bem práticas.

As famigeradas rodinhas

Runna Bike
Runna Bike

Aprender a pedalar com as “rodinhas” vai contra esse princípio básico. Apesar do guidão continuar livre, as rodinhas inibem essa movimentação lateral, forçando a bicicleta numa linha reta. Evitando que a criança possa experimentar e aprimorar o que realmente vai lhe dar equilíbrio numa bicicleta normal. Desde que conheci as bicicletas de equilíbrio como a Runna, eu achei que eram mais naturais e proporcionavam um melhor aprendizado. Agora eu tenho mais uma justificativa científica.

 

Pedalando rente ao meio fio
Esse princípio também afeta quando vamos virar à direita ou esquerda. Em qualquer manobra de mudança de direção, é preciso inclinar a bicicleta ligeiramente para o lado oposto e daí virar. Todo mundo faz isso, mesmo que não esteja consciente. É por isso que andar tão perto de calçada ou meio-fio causa uma sensação desconfortável. A proximidade dificulta qualquer manobra de conversão e a própria manutenção do equilíbrio em linha reta que necessita dos sutis movimentos laterais. Mais um motivo para não pedalar tão no “cantinho”.

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