De bike ao trabalho

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Especialistas (McGroarty, Stopher) têm demonstrado que investir simplesmente na infraestrutura não é suficiente para reduzir o uso do carro de forma eficiente.

Treinamento na empresa
Oficina de condução

Essa constatação tem motivado o uso de campanhas educacionais, de apoio e de promoção dos meios de transporte alternativos para fomentar a mudança para formas mais sustentáveis. Satoshi Fujii afirma inclusive que:

…medidas suaves são, na verdade, um ingrediente necessário em qualquer política pública de transporte voltada para mudança do uso do carro.

Isso também é válido no que se refere especificamente à bicicleta. Apesar da importância da infraestrutura cicloviária, existem indicações de que

…mudanças somente no ambiente físico tem pouco impacto no uso da bicicleta como transporte. (HANDY e XING).

Na verdade, medidas suaves podem ser justificáveis até mesmo sem a existência de uma infraestrutura cicloviária adequada. Um levantamento feito por Peter Jacobsen, analisando cruzamentos específicos, cidades ou países inteiros em extensos intervalos de tempo, demonstrou que o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte invariavelmente resultava numa menor taxa de acidentes e colisões com ciclistas. Handy também afirma que apesar de limitada, as evidências sugerem que este tipo de estratégia suave pode ter um impacto mensurável sobre a ciclomobilidade.

Os trajetos casa-trabalho-casa representam uma parcela significativa dos deslocamentos urbanos, os programas de incentivo ao uso da bicicleta como transporte para o trabalho, ou simplesmente, programa de bicicleta ao trabalho (PBT) constituem uma classe própria de medidas suaves para redução do uso carro. Em Curitiba, uma pesquisa realizada pela Brain Bureau de Inteligência Corporativa aponta o trabalho como motivo exclusivo de 71% do deslocamentos feitos na cidade, chegando a 86% se for um motivo combinado com estudo. Esses números parecem plausíveis levando em conta que, de acordo com dados do IBGE, a taxa de participação na força de trabalho, considerando pessoas entre 16 e 64 anos de idade, era de 75,3% na população brasileira e de 78,1% no Paraná em 2009. Considerando ainda que os hábitos de deslocamento para o trabalho afeta mesmo quem não trabalha verifica-se que boa parte da população é afetada pelo deslocamento casa-trabalho-casa.

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Bici-ônibus

Numa matéria do Jornal O Globo, Flavia Oliveira informa que “o tempo de deslocamento … foi, inclusive, incorporado ao conceito de trabalho decente, segundo relatórios da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade também chama a atenção para os custos financeiros dos longos deslocamentos. Há perdas diretas, expressas no valor das tarifas, e indiretas, caso das horas de trabalho, estudo, lazer ou mesmo de sono perdidas nos transportes. Vão pelo ralo produção, conhecimento, saúde e satisfação.”

Essa preocupação já foi demonstrada anos anteriores num estudo feito pelo Citigroup onde “mostra que o brasileiro passa 2 horas e 36 minutos por dia no trânsito”.

Dê uma olhada também na nossa Coluna de Bike ao Trabalho no site da Cicloiguaçu com informações e novidades sobre programas, campanhas e depoimentos sobre pessoas que vão de bicicleta para o trabalho.

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