Pais e planejadores urbanos, o que eles têm comum?

Você sabe o que muitos urbanistas e pais têm em comum? Eles querem que suas crias sejam saudáveis e façam coisas boas, mas eles fazem justamente o contrário. Por causa disso, muitas crianças e cidades no mundo inteiro só conhecem opções pouco saudáveis para se desenvolver.

Você já viu por acaso uma cena de um pai brigando para que o filho tome suco natural enquanto ele próprio enche a cara de coca-cola regularmente. Ou uma mãe que insiste que o filho vá brincar “lá fora” enquanto ela, a mãe, fica com a cara enfiada no facebook horas a fio?

Cenas como essa são muito comuns, é claro que também é bastante comum situações em que pais têm hábitos prejudiciais a saúde e permitem que os filhos também tenham, sem brigar com eles. Também não é o melhor cenário, certo?

Mas é algo cada vez mais comum como pode ser visto no documentário Muito além do peso do Instituto Alana:

O excesso de peso em crianças e adolescentes causa mais morte que a desnutrição hoje. Os pais precisam que o médico os estimule a considerar que a obesidade é uma doença e não simplesmente uma situação estética
Obesidade entre as crianças atinge índices de epidemia no Brasil

E o que isso tem a ver com as cidades?
Muitos urbanistas têm passado a defender, pelo menos publicamente, a bicicleta e outros meios de transporte ativos como uma opção válida para cidades de qualquer tamanho. O próprio Ministério das Cidades define entre as suas principais diretrizes para a mobilidade urbana dos municípios: a diminuição do número de viagens motorizadas e a promoção do uso de meios não motorizados por causa dos problemas econômicos, sociais e ambientais urgentes gerados pelo uso crescente de automóveis.

Contudo, de forma geral, no nível local, regional e federal. O investimento em infraestrutura e as vantagens fiscais e legais para o transporte motorizado ainda são esmagadoramente maiores. E o carro, ainda é de longe a escolha mais acessível. Muitos projetos de estrutura cicloviária são meros apêndices em ruas e avenidas que ainda priorizam o carro. Certamente um road diet seria muito bem vindo.

kids should be buckled up in the backseat one report said_3265_800604903_0_0_7009914_300Além disso, esse texto não é apenas uma analogia entre urbanismo e paternidade. Esses dois universos estão intrinsecamente conectados. Uma cidade construída em torno do automóvel promove crianças obesas e anti-sociais.

Crianças que crescem com a perspectiva do pára-brisa não estão familiarizadas com um estilo de vida ao ar livre e relacionado ao espaço público e tendem a perpetuar esse modelo.

As pessoas não podem fazer boas escolhas, a não ser que existam boas escolhas a serem feitas. Em muitas de nossas cidades não existem comida saudável disponível e em muitas cidades, não existem parques e espaços públicos que sejam seguros. Então, as crianças não tem oportunidade de serem ativas. Até ir andando para escola está se tornando perigoso.

William Dietz
Centro de Prevenção e Controle de Doenças

Para criar cidades e filhos saudáveis, é preciso que nós mesmos adotemos opções saudáveis e que ofereçamos essas opções para nossos filhos e nossas cidades.

É preciso devolver as ruas saudáveis para as crianças !

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