Aprendizado em Balneário Camboriú

Recebi a oportunidade de conduzir uma oficina de uso seguro da bicicleta para comunidade haitiana em Balneário Camboriu. Aproveitei para pedalar pelas ciclovias da cidade que possui uma quantidade de infraestrutura cicloviária por habitante mais de 100% superior a Curitiba. E a diferença não é só quantidade. Olha só esse exemplo de ciclovia protegida. O canteiro entre ciclovia e estacionamento reduz consideravelmente os riscos de acidente ao abrir a porta do carro.

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E alguns cruzamentos em avenidas principais com quatro pistas são travessias elevadas. Verdadeiras extensões da calçada. Um exemplo invejável de priorização das pessoas.

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Mas retomando o motivo principal da viagem. Estima-se que na cidade tenha 2.000 haitianos e boa parte deles usa a bicicleta como transporte cotidiano. Apesar de já ter falado sobre esse mesmo assunto outras vezes, essa era uma experiência nova, num cidade que eu não conhecia e com um público estrangeiro. Já sabia inclusive que alguns deles provavelmente nem falavam português, apenas francês e crioulo. Contudo, eu estava relativamente tranquilo, Thiago Baise, um amigo do caminho, tem me mostrado que nestes momentos o importante é olhar para as pessoas.

2015-08-22 - Curso haitianos  (22)Foi uma tarde memorável, no grupo haviam homens, mulheres, gente chegando no que chamam de melhor idade e crianças. Eles trabalhavam em restaurantes, hotéis e boa parte no serviço pesado da construção civil como, por exemplo, Monsieur Thomas (Messié Tomá) que na sua vida passada era professor de ensino fundamental e as matérias que mais gostava de lecionar eram história e ciências sociais. Um senhor calmo e franzino de olhar sereno que ainda não falava português, mas se virava muito bem em inglês.2015-08-22 - Curso haitianos  (27)Aliás, essas eram as características do grupo. Carregavam uma serenidade, uma simpatia instantânea e não falavam “apenas” francês e crioulo, falavam inglês, espanhol e outras línguas. Pessoas das mais diferentes áreas, esclarecidas como Roselaure, uma das jovens do curso que antes de vir para o Brasil trabalhava na TV e já tinha sido operadora de câmera e apresentadora entre outras coisas. Roselaure agora estava fazendo um treinamento para tentar um posto de trabalho no comércio.

2015-08-22 - Curso haitianos  (35)No final, minha impressão mais forte era que aquelas pessoas eram nossos próprios primos, tias, irmãos e amigos… que aquelas pessoas eram nós mesmos caso nós tivéssemos passado pelas provações que eles passaram. E apesar de não terem dito uma palavra sobre as dificuldades que enfrentaram em sua terra natal, não puderam deixar de comentar que “morar no Brasil é bom, mas às vezes é díficil porque alguns brasileiros não são muito educados“…

Deixo um agradecimento especial ao André Soares (ACBC) e Roberta Raquel (IFC) pelo convite e pelo acolhimento.

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