Pedala Chapecó

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No final de agosto foi realizada em Chapecó a II Conferência das Cidades. O debate girou em torno da segurança, da mobilidade e das informações sobre a cidade. Foram debates muito ricos, mas eu queria falar mesmo sobre a experiência de pedalar em Chapecó. Não é que tenha sido uma experiência reveladora ou superado muitas expectativas. Mas foi incrivelmente fácil e diria até mesmo acessível. Vejamos alguns aspectos:
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Trânsito
Boa parte das ruas ainda tem mão dupla e bastante cruzamentos. O uso de rótulas também é bastante comum. Minha percepção é que isso mantém os veículos motorizados a uma velocidade moderada e compatível com bicicletas. Pelo menos na região central, as poucas pessoas que vi pedalando, faziam com tranquilidade e ocupando bom espaço na faixa de rolamento. Pedalar para a sede campestre em direção a UNOCHAPECÓ foi realmente um pouco mais desconfortável em relação ao trânsito. Isso parece ser contraditório com os resultados obtidos no estudo “Nível de Conforto da Bicicleta no Trânsito: o Caso de Chapecó-SC” de autoria de pesquisadoras de Chapecó (Cíntia Maruyama) e Maringá (Fernanda Simões). O estudo mostra que apenas parte das ruas oferece um nível de conforto adequado para iniciantes e que a redução de 10km na velocidade máxima permitida (valor considerado no estudo), adequaria toda região estudada. Fiquei curioso em saber se a velocidade real praticada fica muito abaixo da máxima permitida. Talvez isso explicasse a disparidade da minha percepção e dos resultados obtidos. Isso ou o fato de eu não ser mais um iniciante. Pena que só descobri esse artigo depois que deixei a cidade.

Distância
Pedalei pelo centro até a sede campestre, pedalei pelo Líder e Vila Real e vi alguns lotes vazios de bairros que ainda virão a ser. Passei ainda por outros como o Monte Castelo. E apesar dos “loteamentos” surgindo aqui e acolá e do crescimento da cidade, Chapecó ainda é bastante compacta. Boa parte dos deslocamentos na cidade tem até 4km segundo informações da própria prefeitura. Isso equivale a uns 20 minutinhos de bicicleta. Mesmo do Mogano Business Hotel (centro da cidade) para UFFS (periferia) dá em torno de 12km. A mesma distância que faço diariamente de casa para o trabalho de bicicleta levando meus dois filhos.

Clima
Como estamos no inverno, a temperatura estava em torno dos 20°C durante o dia, com sol intenso e à noite a temperatura caía um pouco. Em relação ao clima, foi bastante agradável para pedalar.

Relevo
O relevo também não é intimidador, apesar das pessoas fazerem menção a terra dobrada por causa das muitas ruas estilo “tobogã” com ondulações médias e suaves. Nada que uma boa bicicleta com marchas não dê conta, mesmo para iniciantes.

Cultura da bicicleta
Encontrei alguns grupos de pedal noturno organizados por lojas e ciclistas entusiasmados. Inclusive com crianças e adolescentes. A cidade realiza a “ciclovia temporária” no modelo de ciclovia recreativa durante aos domingos. Já durante a semana e de dia, via bem poucos. Apesar de conhecer algumas iniciativas interessantes como a Fluxo Eletrônica onde o exemplo é dado pelo próprio presidente da companhia e seguido por alguns de seus colaboradores.
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Infraestrutura cicloviária
Chapecó possui zero quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. E apesar da relativa facilidade em pedalar pela cidade, essa era a justificativa mais usada pelos chapecoenses para não pedalar.

E até descobri que num passado não muito distante (até porque a cidade tem só 98 anos) já houve uma ciclovia numa importante via de ligação da cidade. Ciclovia que foi retiradapor falta de uso e para “melhorar” o trânsito.

Caminhos
Chapecó é uma cidade com menos de 200 mil habitantes, pessoas acolhedoras, muito céu disponível e bastante área verde de fácil alcance. Pedalar é fácil. Mas, andar de carro também é… ainda. A eliminação da ciclovia é um sinal do caminho que a cidade está seguindo. Um caminho semelhante a muitas outras no Brasil e não seria absurdo supor que em alguns anos vai chegar onde essas cidades chegaram ao continuar investindo num único e elitista meio de transporte. Ruas congestionadas, poluição alta e um número cada vez maior de mortes e acidentes.

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Felizmente não foi isso o que eu ouvi sendo discutido na Conferência das Cidades. Eu ouvi palestras sobre espaços públicos sendo planejados junto com a população, bairros sem carros, calçadões expandidos, dicas jurídicas para empresas amigas da bicicleta, implantação de parklets e cidades para pessoas.
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Mal posso esperar para voltar a Chapecó em alguns anos e ver tudo isso ganhando vida !!

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