O alto custo do estacionamento grátis

parking

Gestores têm diagnosticado o problema de estacionamento de forma que a solução dada tem um custo muito elevado. Ao entender o problema como falta de estacionamento, os gestores determinam mais vagas. Mas se o problema é o excesso de carros em vez de falta de vagas, ao criar uma exigência de vagas de estacionamento, o problema original é agravado. O problema, entretanto, não é nem falta de vagas, nem excesso de carros. O problema fundamental é estacionamento grátis.

Na prática, o que os gestores fazem é contar os carros estacionados numa determinada área. Identificar o maior número estacionado no horário pico de uso (sem considerar o preço) e então tentar oferecer pelo menos essa quantidade de vagas (sem considerar o custo). Planejamento de estacionamento é planejamento sem preço.

Uma alegoria: Ligações de Telefone a Cobrar
Para ilustrar o problema do estacionamento grátis, considere os problemas que surgiriam se apenas quem recebesse a chamada pagasse os telefonemas. Além disso, a conta telefônica não listaria os números de cada chamada individualmente e toda a conta telefônica viria embutida no aluguel, sem cobrança separada. Ia parecer que ninguém paga o telefone. Com isso, a demanda iria disparar e cada um gastaria muito mais com telefone.

Para garantir que os telefones não estariam ocupados constantemente, os gestores exigiriam um limite mínimo de linhas de telefone que garantisse as ligações na hora de pico, sem considerar o efeito cumulativo no sistema como um todo, visto que mais linhas gerariam ainda mais ligações.

Na tentativa de reduzir ligações nas horas de pico, os gestores permitem que no centro houvessem menos linhas de telefone do que o mínimo estabelecido, mas essa medida se torna impopular porque em todo os outros lugares têm linhas à vontade.

As complicações e custos são enormes. Agora imagine que isso ainda inflaciona o valor dos imóveis, engessa os negócios e incentiva o espraiamento urbano. E o uso excessivo de telefone ainda polui o ar e esgota os recursos naturais.

Na verdade ninguém defende esse modelo, mas motoristas estacionam sim de graça em 99% de todos os deslocamentos de carro.

Estacionamento grátis são subsídios para o carro
Para sugerir quanto o estacionamento grátis subsidia o carro, nós podemos comparar o custo de fornecer estacionamento grátis no trabalho com o preço que se paga para dirigir ao trabalho. Se um estacionamento custa R$150,00 por mês e um funcionário trabalha 22 dias por mês, ele recebe um subsídio de R$6,81 por dia.

Considerando uma distância percorrida de 20km para ir e voltar do trabalho, um desempenho de 10km/l, um gasto de R$50,00 por mês com manutenção e o preço do combustível igual a R$2,99. Temos um gasto operacional mensal de R$181,56 e um gasto diário de R$8,25. Neste caso o subsídio é igual a 82% do custo para dirigir ao trabalho. Sem o subsídio o custo subiria para R$15,06. Esse incentivo acaba gerando aumento na demanda de estacionamento e do próprio uso do carro. Ao não pagar pelo estacionamento, motoristas usam o carro como se isso não houvesse custo nenhum. Mas a criação e manutenção da estrutura, controle de acesso, vigilância, aumento de congestionamento e poluição, desvalorização do terreno, impermeabilização do solo e subutilização (temporal e espacial) do terreno são alguns dos elementos que precisam ser considerados.

Bike Lane Versus Parking

*Se você tirar esta vaga, onde vou estacionar meu carro. Você não pensa nas minhas necessidades?

Extraído e adaptado do texto The high cost of free parking de Donald C. Shoup.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *