Como a perspectiva do pára-brisa define a maneira que nós vemos o mundo

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Via Shane Phillips em Planetizen: Um novo estudo publicado no registro de pesquisas sobre transporte confirma que a perspectiva do pára-brisa é real até demais. Observar o mundo atrás do volante, verifica-se, tem uma influência poderosa sobre os nossos julgamentos em relação aos lugares e até mesmo às pessoas.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que dirigem um carro tendem a ver bairros pouco conhecidos e menos abastados de uma maneira mais negativa do que pessoas que estavam andando, pedalando ou usando transporte público. Em bairros mais valorizados, ocorreu o efeito inverso, os motoristas tinham uma visão mais positiva da área circundante do que todas as outras pessoas.

O estudo descobriu que motoristas, pedestres, passageiros e ciclistas até perceberam o mesmo evento – duas crianças lutando por um pedaço de papel – de forma diferente, relata Eric Horowitz no Pacific Standard:

Os pesquisadores descobriram que os participantes que viram o vídeo sob a perspectiva de um carro avaliaram com mais intensidade as características negativas dos atores (ameaçadoras, desagradáveis) do que os participantes nas outras três condições. Os participantes que viram o vídeo da perspectiva do pedestre deram notas maiores para as características positivas dos atores (consideradas, bem-educadas) do que aqueles ques estavam de carro.

A equipe de pesquisa, da Universidade de Surrey, também descobriu que, em comparação com as pessoas que não estão dirigindo, os motoristas tendem a ter mais atitudes negativas em relação aos jovens.

Os pesquisadores especulam que a lacuna na percepção decorre do fato de que os motoristas estão expostos a menos informações do que os caminhantes, ciclistas e passageiros de ônibus. Por estarem mais isolados do ambiente em torno deles, eles são mais propensos a fazer julgamentos rápidos que confirmam um viés superficial.

Horowitz diz que as descobertas podem ajudar a explicar porque as pessoas que vivem nas cidades por um tempo tendem a permanecer nelas. Enquanto isso, Phillips enxerga como isso pode ser um fator potencial das atitudes negativas em relação às cidades entre os moradores rurais ou suburbanos.

Artigo publicado originalmente em inglês por Angie Schmitt no Streets Blog.

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